Na Hungria, uma catástrofe ecológica obrigou a decretar o estado de emergência em três departamentos do oeste do país.
O produto está a escoar-se do reservatório de lamas tóxicas da fábrica de alumínio de Ajka – 165 quilómetros a oeste de Budapeste e inundou já diversas aldeias.
A lama vermelha gerada na produção de alumínio é composta de elementos tóxicos e corrosivos como o chumbo. A produção de cada tonelada de alumínio gera três toneladas de lama.
O secretário de Estado do Ambiente da Hungria declarou já que “esta é a mais grave catástrofe química que o país enfrentou”.
Na aldeia de Kolontar, a escola teve que ser evacuada. Um morador de uma aldeia vizinha conta que o pai tem 85 anos, conseguiu salvá-lo através de uma janela, mas foi hospitalizado com ferimentos graves nas pernas.
As causas foram investigadas, mas o primeiro-ministro, Viktor Orban, garante que não há causas naturais na origem do derramamento das lamas tóxicas e que se trata de erro humano.
Várias fontes falam de uma sobrecarga dos depósitos por excesso de produção.
Os feridos falam de sintomas de queimaduras: “Eu tenho ferimentos no peito. E dói-lhe? Sim, sinto-me como se tivesse uma queimadura”, diz uma senhora hospitalizada.
Além de graves queimaduras, a contaminação causou pesados estragos materiais.
“Penso que não voltará a haver vida. há 99% de probabilidades de já não haver a vida como se vê agora”, afirma um residente.
Kati Holtzer foi apanhada pela enxurrada vermelha e pensou que ia morrer. Conseguiu salvar o filho de três anos, colocando-o num sofá que flutuava na sala. Pensava que ia morrer. Telefonou ao marido que estava na Áustria para se despedir.
A minha mulher ficou queimada da cintura para baixo e o meu filho está tão traumatizado que não quer sair do hospital diz que é o único sítio onde se sente seguro. Veja lá, uma criança de três anos a dizer isto!”, desabafa Jozsef Holzer.
“Queremos ir para outro lado, víviamos aqui, era um sítio calmo, e agora a minha vida está estragada”, lança uma mulher.
“A única coisa que me resta são estes sapatos, perdi tudo e nem sequer me deixam ir para a minha casa”, diz uma residente de Devecser.
O governo da Hungria comprometeu-se a indemnizar as vítimas. Segundo o secretário de Estado do Ambiente, os proprietários da fábrica deverão pagar os estragos. Caso não tenham dinheiro será necessária a contribuição do governo húngaro e da União Europeia.
Para além dos efeitos sobre as pessoas e bens materiais, os especialistas estimam ainda que a lama tornará estéril todos os terrenos por onde passou e que os sistemas freáticos da região estão condenados.
Tentou-se prevenir a contaminação do rio Danúbio a todo o custo.
Enquanto o exército participa nas operações de limpeza e de ajuda às populações afectadas pelo maior desastre ecológico húngaro, o fluxo tóxico provocado por um acidente industrial chegou às águas do Danúbio.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, visitou Kolontar e mostrou-se extremamente pessimista em relação à possível reconstrução das zonas destruídas.
“O que vi é terrível, simplesmente terrível. É a prior tragédia ecológica de sempre na Hungria. As pessoas estão desesperadas. Deixou de haver confiança.”
De acordo com um responsável do serviço das águas húngaro, o fluxo tóxico passou do Raab para o Danúbio.
As amostras de água recolhidas na confluência dos dois rios mostram «uma taxa de alcalinidade ligeiramente superior ao normal que é de oito e pode ir até 14.
Apesar de a taxa ainda ser baixa, o ecossistema do segundo rio mais longo da Europa está ameaçado.
Entretanto, as autoridades anunciaram que todo o ecossistema do rio Marcal, directamente atingido pela maré de lamas tóxicas, foi destruído devido à poluição.
Todos os olhos estão postos no Danúbio. As autoridades da Sérvia e da Croácia estão a efectuar controlos da qualidade da água. Os testes vão continuar diariamente, durante a próxima semana, em função da evolução da lama tóxica, vinda da Hungria
A catástrofe não respeita fronteiras e ameaça agora vários países. O Danúbio é o segundo maior rio da Europa. A jusante da Hungria, passa pela Croácia, pela Sérvia, pela Roménia e Bulgária, e toca ainda na Moldávia, antes de desaguar no Mar Negro, perto da Ucrânia.
Para já, a Hungria, é o único país atingido. Budapeste pediu ajuda ao Mecanismo Europeu de Protecção Civil para fazer face ao desastre industrial que começa a afectar o ecossistema do Danúbio. As autoridades do país solicitaram o envio de especialistas em derrames tóxicos, descontaminações e meio ambiente, à medida que o rasto de morte se intensifica.
Desde segunda-feira, data do acidente na fábrica de alumínio, mais de um milhão de metros cúbicos de lama tóxica foram já derramados.
Hungria pediu ajuda ao Mecanismo Europeu de Protecção Civil para fazer frente ao desastre industrial que começa a afectar o ecossistema do rio Danúbio.
As autoridades do país solicitaram o envio de especialistas em derrames tóxicos, descontaminações e meio ambiente, à medida que o rasto de morte se intensifica e dizem que será preciso um ano e dezenas de milhões de euros para limpar as áreas afectadas.
Fonte: http://pt.euronews.net/
8 de Outubro de 2010
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